<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3678530</id><updated>2011-04-21T17:05:38.439-07:00</updated><title type='text'>ZARABATANA_relacoes</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://zaraba_relacoes.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zaraba_relacoes.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14722677896184256408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>8</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3678530.post-79735931</id><published>2002-08-02T08:06:00.000-07:00</published><updated>2002-08-02T08:06:34.400-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>8 &lt;b&gt;:: S I L Ê N C I O&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele costumava se sentir culpado por não dar atenção às suas namoradas do passado. Não gostava de ser cobrado, nem de atender a telefonemas delas no meio do dia, nem de dar satisfação sobre o que fez ou deixou de fazer. Era uma pedra longínqua e amava o amor dos distantes, dos maridos que viajam muito, dos músicos e jogadores de futebol, mas quando tinha a companheira por perto era como se o resto do mundo fosse o elenco de apoio do filme mais romântico do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, entendeu que era melhor ficar sozinho, sem vínculos com as eventuais amigas que preenchiam as noites de sexta-feira. Suas relações eram cada vez mais frívolas e rasas, e a cada orgasmo atingido a vontade era de ejetar a parceira do quarto, até que um dia cansou. Penou até conhecer Ana, em quem depositou toda a esperança de construir uma relação equilibrada e sadia. Ele esperava que Ana ligasse, que ela cobrasse, que fizesse juras de amor eterno pra que ele as pudesse responder à altura, mas Ana nada fazia. Ana calava-se, recluia-se, apassivava-se. Ana tinha um amplo repertório de palavras, mas as escolhia tão bem, que fazia do seu discurso mais sintético que analítico, quase monossilábico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele perguntava pra Ana sentimentalidades, sobre as quais detestava ser arguído antes e se tornu uma pessoa mais aberta do que nunca pensara em ser. Essa situação era incômoda e instigante, e deixava nele uma insegurança e um inventário de dúvidas que alguns estudantes da psicanálise batizaram um dia dos enigmas femininos. Foi assim que Ana, a silenciosa, transformou um homem que se incomodava com presenças em um que se desesperava com ausências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Marcelo Gluz, 7 de dezembro de 2001, às 18:37&lt;/i&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3678530-79735931?l=zaraba_relacoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default/79735931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default/79735931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zaraba_relacoes.blogspot.com/2002_07_28_archive.html#79735931' title=''/><author><name>Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14722677896184256408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3678530.post-79735870</id><published>2002-08-02T08:04:00.000-07:00</published><updated>2002-08-02T08:04:56.790-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>7&lt;b&gt; :: L A M B A D A&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fossem literatura, seriam partes do mesmo poema revolucionário. Maldito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca entendi como puderam ter se separado um dia. Talvez ele soubesse que ela seria dele pra sempre e portanto poderia se dar o luxo de um desafio pessoal de afastamento. Fracassou, afinal de contas quem mais faria brigadeiro às 4:00 da manhã e o alimentaria dormente, com seus próprios dedos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, que estão juntos de novo, é assim. Despem seus pés nos casamentos de traje de gala e dançam como escravos em festas da senzala, quase pornográficos. Chegam a arrancar aplausos dos grã-finos apreciadores do erotismo alheio, que chamam a si mesmos de voyeurs. Nome chique pra impotentes encheridos. Falam alto e riem muito quando contam piadas que só eles entendem. São a versão mais moderna e nordestina de Bonnie e Clyde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois de cada dia de amor incondicional dormem nús, pentelhos enroscados, braços idem. Corpos idem. Almas idem. Idem, idem, idem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso ter me emocionado quando disseram que iriam pra Paris dar aula de lambada. Levam consigo um pouco de mim. Do que eu queria ser. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Marcelo Gluz, 6 de dezembro de 2001, às 10:02&lt;/i&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3678530-79735870?l=zaraba_relacoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default/79735870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default/79735870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zaraba_relacoes.blogspot.com/2002_07_28_archive.html#79735870' title=''/><author><name>Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14722677896184256408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3678530.post-79735632</id><published>2002-08-02T07:58:00.000-07:00</published><updated>2002-08-02T07:58:58.720-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>6 &lt;b&gt;::C O B E R T O R&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele grupo de pós-adolescentes ninguém pegava ninguém. Kika, Luisa, Dedo, Marcelinho, Renata, Babão e Naná não guardavam segredos para o grupo. Os caras viam as meninas de bobs e delas recebiam conselhos de como conquistar outras meninas. Era uma amizade padrão que assim continuaria sendo se Babão não tivesse visto o cobertor vermelho se mexendo demais naquela noite quente do camping da Ilha Grande. Quem usa cobertor de lã enquanto todos suam só pode estar escondendo alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedo e Naná pouco se tocavam durante o dia mas quando o sol se punha trepavam horas seguidas sem dizer palavra. E no dia seguinte acordavam como se tivessem dormido como freira e monge. Nunca falaram sobre isso entre eles, nem de forma privada, nem pelo telefone, nem com palavras imaginárias. Simplesmente ignoravam essa parte do dia em que se tornavam algo mais que amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Babão puxou o cobertor revelaram-se (inclusive pros protagonistas da cena) corpos suados que cultivavam na face um olhar profano e sensual. Dedo e Naná se surpreenderam mais que os outros. Ele amarrou o cobertor na cintura e andou rápido até a praia. Ela abaixou a cabeça e ficou lá arqueada como um caramujo recolhido às suas próprias costelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kika tinha medo de ficar sozinha, Luisa mentia compulsivamente, Babão saía da lanchonete sem pagar de vez em quando, Renata tinha tesão no Marcelinho, que atropelou um cara há três anos. Todos soterraram esses segredos no mais interno lugar de si próprios. Todos escondiam essas informações de si mesmos, por algum motivo não sabido. Todos fazemos isso e não sabemos o bem que pode fazer termos nosso cobertor vermelho sendo puxado por alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Marcelo Gluz, 21 de novembro de 2001, às 18:24&lt;/i&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3678530-79735632?l=zaraba_relacoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default/79735632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default/79735632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zaraba_relacoes.blogspot.com/2002_07_28_archive.html#79735632' title=''/><author><name>Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14722677896184256408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3678530.post-79735499</id><published>2002-08-02T07:55:00.000-07:00</published><updated>2002-08-02T07:58:08.000-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>5&lt;b&gt;:: A M N É S I A&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinze minutos assisstindo lado-a-lado a uma palestra sobre gânglios foram suficientes pra eles se apaixonarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas horas e meia pra eles irem pra cama, num hotelzinho no Centro da Cidade. Casaram em dois meses, com o palestrante como padrinho, e tiveram o primeiro filho um ano depois de terem se conhecido, naquele congresso de medicina homeopática. Ela acreditava em todas as ciências alternativas. Ele duvidava de todas, mas gostava de coletar dados antes de discursar contra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o filho tem quinze anos e seus irmãos, onze e oito. Visitavam motéis nos sábados e as sogras nos domingos, até que na semana passada algo se perdeu. Perceberam que não se conheciam mais durante um jogo entre amigos no qual um lado do casal tinha que adivinhar o que o outro faria em determinada situação. Prato favorito, marca de pasta de dentes favorita, motivo maior de crise familiar, posição sexual ideal, coisas que levariam pra ilha deserta, livro de cabeceira. Nada sabiam um do outro. Ficaram em último lugar e foram motivo de chacota noite adentro. Quando chegaram em casa concluiram que viviam a mentira mais longa das mentiras e decidiram se separar. Parecia que fantasmas povoaram o quarto do casal todo esse tempo e os filhos foram gerados como Jesus Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prático, o recém-divorciado apelou pra medicina. Ficou pasmo ao ler seu diagnóstico de amnésia de causa desconhecida, mas não soube responder para o neurologista nenhuma questão emocional sobre os últimos quinze anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mística, a recém-divorciada apelou para a quiromancia. Ficou pasma ao perceber que dois centímetros da sua linha da vida tinham sumido como uma fenda na parede preenchida por massa branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Marcelo Gluz, 20 de novembro de 2001, às 16:21&lt;/i&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3678530-79735499?l=zaraba_relacoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default/79735499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default/79735499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zaraba_relacoes.blogspot.com/2002_07_28_archive.html#79735499' title=''/><author><name>Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14722677896184256408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3678530.post-79734986</id><published>2002-08-02T07:43:00.000-07:00</published><updated>2002-08-02T07:43:21.466-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>4 &lt;b&gt;:: B A I A&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chefe achou que eles deviam trabalhar lado-a-lado pra agilizar o processo. Ela falava muito e muito alto e ele se fechava no seu micro-ambiente silencioso e quase não dizia palavra. Ficaram amigos. Ele contou da ausência da namorada, ela contou das viagens, das baladas, nas noites de sexo, das noites de choro, da chatice da mãe, da saudade do pai, das viagens do pai, do que gosta de comer, das coisas do mundo que mudam sem parar e da ausência do namorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O processo foi agilizado. Trabalhavam bem juntos, revezavam caronas pro trabalho, iam ao cinema depois do expediente, esticavam em botecos e dormiam tarde. Ele dizia amar a namorada, ela dizia amar o namorado, mas passaram a ter ciúmes um do outro. Eram unha e carne. Quando ela precisava pregar uma prateleira em casa era pra ele que ela ligava. Quando ele estava triste era pra ela que ele ligava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalharam juntos por cinco anos, sem nunca terem trocado beijos, até que ela pediu demissão e foi trabalhar no Centro da Cidade. Perceberam que iam se afastar. Iam ter novos companheiros de baia, novos meios de agilizar os processos, novas pessoas para dar carona. A ausência os fez perceber o óbvio. Passaram três meses sem se ver até que um telefonema dele noticiou o rompimento do namoro. Ela ligou pro namorado em seguida e também rompeu o seu. Resolveram casar sem nunca terem sido namorados. Sem nunca terem se tocado de modo romântico. Nunca mais se separaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Marcelo Gluz, 14 de novembro de 2001, às 18:06 &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3678530-79734986?l=zaraba_relacoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default/79734986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default/79734986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zaraba_relacoes.blogspot.com/2002_07_28_archive.html#79734986' title=''/><author><name>Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14722677896184256408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3678530.post-79734912</id><published>2002-08-02T07:41:00.000-07:00</published><updated>2002-08-02T07:41:14.370-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>3 &lt;b&gt;::  A G O G Ô&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São casados há quarenta e cinco anos, e ainda têm energia pra brigar como torcedores rivais, o que não quer dizer que não se amem. Muito pelo contrário, um sem o outro é como uma cabeça levitando, sem pescoço. Quero dizer que um sustenta o outro e vice-versa, ainda mais agora na velhice, quando as pernas já não funcionam como compassos e as colunas já se envergaram. O sexo já não acontece há anos e o romance já se confina nas telas da Globo do horário nobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semana passada ele comprou um agogô pra desespero da mulher, que não o poupa do seu extenso repertório de xingamentos e ironias. Depois da aposentadoria tem pulado de hobbie em hobbie, sem ser bem sucedido em nenhum. Nunca teve talento musical, mas está certo de que toca tão bem quanto qualquer um daqueles músicos da roda-de-samba. Os músicos, por sua vez, não compartilham da mesma opinião. Tocam "Sem Compromisso", quando o aposentado se empolga e começa a bater mais forte nos cones metálicos. O pandeirista faz careta, o "sete cordas" resmunga e o cara do tamborim tenta parar tudo pra expulsar o estranho do ninho. A concentração do nosso herói é tão grande, que ele não percebe que não está agradando. O negão do surdo levanta do banquinho disposto a dar um basta, quando a mulher resolve intervir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela enlaça o tórax do marido com seus braços gordos e sussurra em seu ouvido que fica excitada quando ele toca agogô pra ela. Diz que quer ir pra cama com ele agora. Não pode esperar nem um segundo a mais. Ele recolhe o instrumento e sai da roda garboso e contente pra cumprir seus deveres de marido. A mulher sabe que nos próximos dias vai ter que aturar solos insuportáveis no pé-do-ouvido, mas acha que seus próprios tímpanos valem menos que os bagos do marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Marcelo Gluz, 09 de novembro de 2001, às 11:17&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3678530-79734912?l=zaraba_relacoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default/79734912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default/79734912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zaraba_relacoes.blogspot.com/2002_07_28_archive.html#79734912' title=''/><author><name>Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14722677896184256408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3678530.post-79734720</id><published>2002-08-02T07:36:00.000-07:00</published><updated>2002-08-02T07:40:00.000-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>2 &lt;b&gt;:: T A T U A G E M&lt;/b&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanda havia tatuado o nome dele em japonês no início das costas. Ele não sabia japonês, nem das coisas do amor. Dizia que eram coisas de mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanda era lindíssima. Dessas mulheres altas, que parecem distantes aos pobres mortais. Ele era um tipo calado, quase bronco, que cometia pequenos erros de concordância e gostava de assistir a filmes de cowboy enquanto Amanda se despia pra esperar o filme acabar. Ela já tivera homens melhores do que aquele, mas nenhum deles a tratava com tanta aparente indiferença e ela nunca havia amado tanto nenhum deles. Na cama eles eram infalíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanda nunca o chamou pra uma conversa sincera sobre a diferença de comportamento entre os dois. Nunca pediu que ele lhe mandasse flores ou retribuísse os carinhos. Amanda nunca teve dúvidas sobre o amor dele, embora ele pouco falasse sobre isso. Embora ele pouco falasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viveram felizes para sempre, Amanda e ele, como se fossem um só indivíduo. Como se Amanda romanceasse pelos dois. Como se o silêncio dele abraçasse o amor de Amanda com os braços firmes de seu ídolo John Wayne. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Marcelo Gluz, 05 de novembro de 2001. 16:00&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3678530-79734720?l=zaraba_relacoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default/79734720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default/79734720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zaraba_relacoes.blogspot.com/2002_07_28_archive.html#79734720' title=''/><author><name>Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14722677896184256408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3678530.post-79734092</id><published>2002-08-02T07:20:00.000-07:00</published><updated>2002-08-02T07:41:41.000-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>1 &lt;b&gt;:: F I D E L I D A D E&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez um namorado que nunca mentia. Era o mais fiel dos homens. A namorada o achava cínico, manipulador e mentiroso. Ingênua e rasa, tinha certeza de que era traída, mas aturava a relação pelo tanto que o amava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acusado de infidelidade, o namorado não desmentiu. Preferiu depositar na face um sorriso dúbio e usar o dorso da mão pra acarinhar o braço dela. Ela suspirou e disse que não conseguia ficar brava com ele. O chamou de cachorro e eles treparam a noite inteira, até dormirem vinculados, como se fossem um só corpo exausto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O namorado nunca mentia. Seu nome poderia ser sinônimo de honestidade em qualquer dicionário do mundo. Mas ele preferiu que a namorada pensasse que ele era outro homem. Outro pior. Tinha certeza absoluta de que era isso que a fazia amá-lo tanto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Marcelo Gluz, 31 de outubro de 2001, 18:30&lt;/i&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3678530-79734092?l=zaraba_relacoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default/79734092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3678530/posts/default/79734092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zaraba_relacoes.blogspot.com/2002_07_28_archive.html#79734092' title=''/><author><name>Marcelo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14722677896184256408</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
